sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Chuva. Meu cenário silencioso. Pensamentos. Minha substância, minha essência. Sou pensamento. Cogito ergo sum? Ou sou sentidos? Ou, ainda melhor, sou nada? Sou, apenas. Como? É possível existir para além das definições metafísicas? É possível não haver eu? Como? É possível haver apenas corpo? Pão e vinho. Meu velho violão me olha. Deitado. Deixado? Não. Somos. Esse eu-violão, onde minhas vísceras transmutam-se em cordas. Enfim, somos. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Ode a Saulo Ligo

É noite de lua cheia! Santa Clara me clareia! Me incendeia o coração! 

Difícil, a arte das definições! Ademais, o que são definições

Saulo Ligo, a quem chamo, ousadamente, parceiro, encarna mais uma dessas dificuldades que encontramos pelas calçadas da vida. Como definir, ainda, nas palavras termináveis, sua poesia e sua canção? Como definir, enquadrar nos conceitos entorpecidos pela finitude própria da linguagem, as sensações que nascem, respingam, pululam, infestam olhos, corpo, alma, coração? Somente o tempo sabe  o tempo e a razão. Prefiro me dedicar ao silêncio da audição santa, da audição mais silenciosa e reverente. Ouvir um samba, essa dedicação desenfreada ao profano, ao urbano, em Saulo Ligo, se torna o deleite manso e calmo das revelias da existência mesma. Nele, na sua inspiração paulinhodavioliana, encontramos os versos-descanso de um compositor que aprendeu a vida, na vida mesmo.

Para os desatentos: http://sauloligo.tnb.art.br/
  

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Se você ficar sozinho, pega a solidão e dança (...) Se faltar a paz, Minas Gerais (Marcelo Camelo).

Hoje minhas palavras virão mais soltas. A leveza com que levo minha existência, e sua sinceridade, me servem, aqui, de escudo. Vim só dar despedida (Marcelo Camelo). Preciso escrever um livro. Há uns anos, escrevi uma peça. Dessas mediocridades que escrevemos quando dos enterros de nós mesmo. Esqueci e minha obra se foi com a morte de um notebook enfermo. Quem sabe, o destino? Perdeu-se, enfim, minha grande obra! Agora vivo das pequenas linhas soltas no Parafernália. Misérias para os parcos leitores que tenho. Um aviso: deixem meus escritos tortos! Cuidem de suas existências!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Se faltar carinho, ninho (Marcelo Camelo).

A distância temporal das palavras escritas aqui, no Parafernália, explica-se. O silêncio das palavras que aqui eram lançadas com disciplinada periodicidade, explica-se. Nunca palavras. O que resta às palavras, se o corpo não geme? O que resta? Por isso, nunca as palavras, aqui, saltam antes da sensação desesperada de estar vivo, de estar imundo da existência mesma, sem as máscaras e as hipocrisias do vazio doutras palavras. Eu prefiro o mergulho. A vida mesma, repleta das dores mais essenciais. Nisso, fiz-me sambista que outros. Dor e palavras: eis meu samba sincero.    

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Nunca minhas palavras são lidas. Benção. Sou o escritor dos cegos, dos que nunca me lerão, dos que nunca serão meus. Minhas palavras. São apenas alívio. Minha alma procura as palavras como a um deus. Preciso de palavras. Escritas. Prefiro o silêncio dos sons. Prefiro as palavras escritas. Solidão.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Quem viu o pavio aceso do destino?

Ver minha música ecoar vazia nos ouvidos das pessoas. Ver minha música. Sua beleza existe? Que beleza? Ver minha música acoando e ressoando o não-sentido, o sem-sentido. Tudo isso, assim, de repente. Ver minha música. Ouvi-la, antigo sonho, cantada pelos grandes. Ah! Que fazer, se nasci com a mediocridade da maioria? Se sou reles? Se sou baixo? De uma baixeza que, pasmem, não havia, até agora, me apercebido. Sim! Sou de uma baixeza outra! Mais baixa e mais vil e mais reles do que consigo imaginar. Minha música, seus versos, suas estrofes, suas rimas, suas não-rimas, seus desesperos! Tudo a mais clara e evidente - como queria Descartes! - degenerescência. Sim! Vou me dar aos ternos, aos relógios. Sou reles demais para a existência do artista. Sou reles demais para as existências nobres. Vivo o mundo dos medíocres, sonhando as alturas dos compositores. Sonho vão. Volto sempre à minha condição operária! Viva a pobreza do meu espírito! 
Palavras. Exigem: palavras. E eu? A cultivar meu silêncio incólume, intocado. Ignorando o grito dos que possuem palavras em demasia. Eu quero o silêncio. Deuses, filosofias, teologias, misticismos. Quero silenciar, apenas. Respeitem

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Umas palavras

Nos ouvidos, Para ver as meninas. No peito, o desejo de compor outro samba. Nas pernas, o cansaço de deitar. Nos olhos, a estafa das luzes insistentes dos aparelhos domésticos. Nos dedos, a sensação recente das cordas do violão, agora deitado sobre a cama vazia. Hoje eu vou fazer, ao meu jeito, eu vou fazer um samba sobre o infinito.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O meu silêncio é uma doença. Afeta. E os afetos são doença. Lembro do whisky, do silêncio das madrugadas da pequena cidade, do céu escondido entre as nuvens negras, amanhã chove. Lembro Aldir Blanc. Vida Noturna. Penso no desespero, no desespero de ser o que se detesta. A língua, colada ao paladar, pede outro trago, um copo d'água, uma dose, algo que molhe os sentidos, os instintos, o restante da dignidade que resta aos que se tratam por inúteis. Penso a madrugada. Solta. Sozinha. Bastar-se a si mesmo. Andar, sem o auxílio do automóvel, sem o auxílio das autos. Só as pernas, um pouco trôpegas, sem o rumo natural, sem o prumo natural, aprendido nos primeiros anos da vida. Saudades das pernas, andando vadias as noites perdidas, isentas da ânsia das significações, da semiologia capitalista da utilidade. Prefiro, ainda que dolorosamente, o silêncio.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Prestíssimo: Um Conto - 1ª Parte [reescrita]

Acordou. Lembranças. Adormecera pensando no amor. Era Joana. Na cozinha, sentou-se. Silêncio. Era Joana. A presença inesperada de Joana nos primeiros instantes do dia lançou em seu espírito uma questão irrecusável. Era o amor. Pensava. O amor, assim, traduzido na pele de Joana. Nos poros. Nos olhos. Nos seios. Era Joana. Levantou-se. Oito horas. Exausto, porém leve, vestia camisa, calça, sapatos. Era o amor. As coisas, os móveis, os talheres, os chinelos, o versos antigos, deitados em velhos cadernos, os perfumes. Tudo perdera sentido. Era Joana.

domingo, 9 de outubro de 2011

Domingo cinza. Palavras? Poucas. E cinzas. Tenho pensado a vida e as tristezas. Inquietude.

domingo, 2 de outubro de 2011

O relógio, estranho inimigo, aponta suas horas intermináveis. O tempo passa devagar. E os pensamentos são muitos. E as palavras, poucas. Voltei à Parafernália dos pensamentos. Voltei à solidão insone dos que vivem os segundos das madrugadas, dos que mergulham pensamentos em mais pensamentos. Hoje fui interpelado sobre a seriedade dos sentimentos que sinto. Estranho modo de conhecer uma verdade sobre o que sinto: perguntando-me sobre seriedade. Eu, o rancoroso com a existência. Mas esqueçamos. Falemos sobre o vazio. Assunto corriqueiro nos textos desprovidos de sentido que escrevo. Falemos de política. Não, política, não. Falemos de Deus. Melhor. Noutra hora. Falemos da madrugada. Dos silêncios absurdos. Dos vazios que se fazem ouvir, nas madrugadas insones. Falemos do vizinho que, logo cedo, insiste num trabalho profundamente desnecessário. Mania de velhos aposentados: consertar coisas velhas, reutilizá-las. Por que, simplesmente, não dorme? Por que, simplesmente, não lê? Mania do velho moço jovem que sou. Ontem falei com o Maza. Abandono. Esse meu espírito amigo sentirá a ausência do companheiro das horas insanas. Rever Maza, uma missão para os próximos dias. Saudades do meu violão. Tenho abandonado minhas cordas. Estão soltas, sobre a cama, amargando um abandono triste. Preciso voltar aos acordes. Minha poesia. Saudades 

sábado, 1 de outubro de 2011

Voltando, aos poucos

Ouvindo Moacyr. Manhã lenta. Um vento lento, soprando as folhas e as roupas suspensas nos varais. Errar é meu gesto, é meu jeito. Observo o tempo com a paciência inexperiente de uma mãe solteira. Mas há gritos, por dentro, esperando o tempo chegar. A conversa solta dos botecos, dos trôpegos, dos que sustentam frases absurdas, por orgulho bêbado. Ando distante das palavras. Mas, sempre volto às palavras. Um pouco mais confuso, é certo. Rumos da minha filosofia. Enfim, preciso do Rio de Janeiro. Volto, em breve.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Minhas palavras estão soltas no tempo e no silêncio que faço quando calo. Meu parafernália grita, aqui dentro, como um filho. Merecedor dos meus escritos nunca lidos. Meu refúgio. Escrever para não ser lido. No último final de semana, estivemos no samba. Estivemos. Essa duplicidade que me constitui como sujeito existente. Nas palavras do gênio: Elaeu. Essa entidade inventada pela genialidade de Tom Zé. Deixo de ser nela. Ela, por sua vez, deixa de ser no Elaeu. Enfim, poucas palavras pra hoje. Volto à televisão, procurando um entorpecimento que me satisfaça!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Acordei. E a velha e conhecida dor no fundo raso dos pensamentos. Experiência do álcool que restou no sangue das noites passadas. Uma tristeza nova. Não ser o homem de 29 anos. Não ser a representação ideal da humanidade que cerca essa miséria de homem que sou. Um artista. A antiga tensão entre o destino e a escolha. Aos diabos! Essas discussões sobre subjetividades, sobre modos de estar na vida, na existência. Até quando, a desistência de si mesmo? Apenas revoltas.