quinta-feira, 20 de março de 2014

20 de Março de 2014

Ando um pouco cansado de minha condição política. Estrada. Um pouco desatento. Ucrânia, Estados Unidos, Crimeia. E, de repente, as pessoas inteligentes estão sentadas em botecos finos comentando o destino de uma provável Terceira Guerra Mundial, de uma ruptura política nefasta. E, nesse ínterim, um conhaque e um baque novo de não conseguir ser qualquer coisa. Ando um pouco lento. Corpo lento. Devagar. Tenho consumido um doce caseiro diariamente. Mercado Municipal de Piracicaba. Prefiro. Por que não quero refletir o destino dos outros. Eu e minha marmita acordamos cedo, hoje em dia. Meses de trabalho medíocre e de salário parco. Ando querendo filhos. Mas, e eles? Talvez não me queiram ainda. Tempo, tempo, tempo, tempo. Um homem - a quem amava - tornou-se outro! Agora felicita os anos de vida de um capitalismo fascista. Mas, enfim, quem não chora um bolso vazio? Eu prefiro Naná Vasconcelos. Estive em San Vicente..."um sabor de vidro e corte".

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014


 O nascimento repugnante de um malformado nunca é bem-vindo. Os olhos desviam. Muitas atrações, poucos amores. Muitos desprezos. Os que nasceram pela metade, em partes. Os que foram "arrancados". Os amputados. Os deformados e suas cicatrizes. Ao amor dos que foram "forçados", um desespero intrauterino, ancestral. Tudo, às sombras do cantos escuros. Nunca chorei minha infância. É melhor chorá-la o mais depressa! Quando um filho meu nascer, direi: É normal? O mal-estar com que o disforme traga a existência! Uma vez mais? Num outro, meu sangue? É bom chorar o mais depressa.